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  • Foto do escritorCatarina

Lisboa Romana

Presume-se que os gregos antigos tiveram na foz do rio Tejo um posto de comércio durante algum tempo, mas os conflitos que grassavam por todo o Mediterrâneo levaram sem dúvida ao seu abandono, devido sobretudo ao poderio de Cartago nessa época. Parece certo no entanto que o território de Lisboa é primordialmente ocupado por populações mediterrânicas organizadas em torno de uma família nuclear. As influências civilizacionais desta região saloia da Estremadura é fenícia, púnica e, sobretudo, em termos estruturais, berbere-moura e latino-romana. Esta última, exógena, mais requintada, dominará enquanto cultura de poder, nas estruturas administrativas e do ensino, quando os legados do Império Romano são apropriados pela Igreja Católica.


Olissipo, Lisboa Romana

Após a conquista de Cartago, os romanos iniciam as guerras de pacificação do ocidente. Cerca de 139/138 a.C., conquistaram Olissipo, durante a campanha de Décimo Júnio Bruto Galaico, que reforçou as muralhas da cidade para se defender das tribos hostis. A Lisboa de então foi depois anexada ao império e recompensada com a atribuição de cidadania romana, privilégio então raríssimo para povos não romanos. Felicitas Julia beneficia assim do estatuto de município, juntamente com os territórios em seu redor, num raio de 50 km, não pagando impostos a Roma, ao contrário do que se passava com quase todos os outros castros e povoados autóctones conquistados. A cidade foi por fim integrada, com larga autonomia, na província da Lusitânia, cuja capital era Emeritas Augusta, a actual Mérida, situada na Estremadura espanhola. A Olissipo romana dispunha-se em anfiteatro desde a colina do Castelo de São Jorge até ao Terreiro do Trigo, o Campo das Cebolas, a antiga Ribeira Velha e a Rua Augusta. Um dos mais antigos e importantes vestígios da presença romana em Lisboa são as ruínas de um magnífico teatro (século I) então construído no local que hoje corresponde ao nº 3A da Rua de São Mamede, em Alfama, muito frequentado pelas elites da época.


No tempo dos romanos, a cidade era famosa pelo fabrico de garum, alimento de luxo feito de pasta de peixe, conservado em ânforas e exportado para Roma e todo o império. Outros produtos comercializados eram o vinho e o sal. Ptolomeu designava essa primordial Lisboa como sendo a cidade de Ulisses.


Vestígios Romanos

Por toda a cidade existem vestígios da passagem dos romanos, um deles é um hipódromo romano com cerca de 1800 anos que foi descoberto aquando das obras do metro, este está enterrado debaixo da actual Praça do Rossio, oficialmente Praça D. Pedro IV, e uma das mais centrais da cidade de Lisboa. Quando foi descoberto viu-se que uma das paredes do hipódromo fica a poucos metros do quarteirão da famosa e antiga pastelaria Suíça.


As obras do metropolitano destaparam, mas a infeliz decisão foi voltar a tapar.

As estruturas do hipódromo romano estão enterradas a dois metros da superfície. Foram descobertas há anos, durante as obras da estação do Rossio do Metropolitano de Lisboa. Mas voltaram a soterrá-las e estão esquecidas. O formato da Praça do Rossio obedece às linhas do hipódromo, onde correram as quadrigas romanas. O achado vive apenas no conhecimento dos especialistas em arqueologia. Na altura das escavações foi descoberta também uma necrópole romana.


Necrópole, Lisboa Romana
Necrópole Romana

Na Praça do Rossio existiam há séculos animadas corridas de cavalos. O hipódromo de Lisboa parece ter sido decalcado do Circo de Máximo. A estrutura poderia ser visitável. Na altura das escavações, a Câmara e o Metropolitano não deram esse passo.


O mesmo não aconteceu, por exemplo, com os achados do Hotel Eurostars Museum, antigos Armazéns Sommer. Ali pode-se ver uma sequência contínua da vida de Lisboa desde a Idade do Ferro até à Época Contemporânea. O Hotel Eurostars demonstrou que é possível modernizar sem esquecer o passado.

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