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  • Foto do escritorCatarina

O Castelo dos Mouros

Situada a Noroeste de Lisboa, no extremo ocidental do al-Ândalus, junto ao mar tenebroso, Sintra foi descrita por diversos autores muçulmanos. No século X seria já um importante centro populacional, embora não confinado ao castelo dos Mouros, quer pelas suas reduzidas dimensões e dificuldades de acesso, quer por estar afastado das zonas agrícolas.

Dotada de dois castelos de “extrema solidez”, um deles construído de forma estratégica num dos cumes sobranceiros da serra - o castelo dos Mouros - Sintra foi mencionada posteriormente por al-Himyari como uma das vilas que dependiam de Lisboa no al-Ândalus, estando situada nas proximidades do mar e permanentemente mergulhada numa bruma intensa que não se dissipava e que torna Sintra um lugar unico.

Castelo dos Mouros com Palacio da Pena
Castelo dos Mouros

Olhando o castelo dos Mouros, a sua época da sua construção terá ocorrido em duas fases distintas de edificação desta estrutura, sendo que a mais antiga remontará aos séculos IX-X, à semelhança de outros casos peninsulares, correspondendo à época de fortificação da costa atlântica levada a cabo pelas autoridades muçulmanas face aos ataques vikings. No entanto, os trabalhos mais recentes têm apontado para cronologias de ocupação do local em torno dos séculos X e XI.

Castelo dos Mouros
Postal antigo com o Castelo dos Mouros

Incorporado no sistema de defesa costeira islâmico que funcionava a partir do litoral sintrense e que integrava o distrito de Lisboa, o castelo dos Mouros tinha a particularidade de servir como posto de vigia dos acessos por mar e terra e de, a partir daí, se poder estabelecer comunicação com outros postos defensivos a média e a longa distância. Porém, isso apenas seria possível em dias de boa visibilidade, o que nem sempre é realidade em Sintra, bastante sujeita aos nevoeiros que por ali se prolongam. Neste sentido, o sistema de alerta que funcionava através do castelo dos Mouros e de outros pontos da serra de Sintra estava bastante condicionado, tendo ficado inactivo com frequência. No entanto, como alternativa e complemento, ao longo da linha costeira existiam outros postos de vigia e de retransmissão de sinais visuais.


Seja como for, ao longo da sua história, o Castelo dos mouros foi igualmente servindo de guia aos que navegavam no Mar Oceano, mas acaba por perder importância estratégica, ficando votado ao abandono. No final do século XV, apenas alguns judeus habitavam o castelo, de forma a cumprirem a ordem régia que vigorava na época e os obrigava a viverem isolados do resto da população. Quando as minorias étnicas e religiosas foram definitivamente expulsas do país, o Castelo ficou definitivamente abandonado.

À medida que o tempo passava, o Castelo foi ficando mais degradado. Com o terramoto de 1755 o que restava da estrutura original ficou ainda mais arruinado. Só no séc. XIX, no reinado de D. Fernando II, se procedeu ao restauro integral do castelo. Atualmente, pouco pode ser encontrado da sua estrutura original. Apenas a base das torres e as muralhas serão parte da fundação inicial. Do alto das suas muralhas é possível admirar uma paisagem única que faz de Sintra o lugar especial que é.


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